BrasíliaBrasíliaSão Paulo SCN Qd. 01, Bl C, nº 85, Ed. Brasília Trade Center - Sl. 1.101 (61) 3226-2269 / 3342-2611 / 3342-2610 / 3342-2235 R. Treze de Maio, nº1558 - 6º andar Bela vista (11) 3284-6800
presidente@cncafe.com.br

Produção recorde exige cautela, planejamento e responsabilidade do setor cafeeiro

Por Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC)

A primeira estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de café de 2026 aponta para uma produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, crescimento de 17,1% em relação a 2025 e, se confirmada, um novo recorde na série histórica. Trata-se de um cenário típico de bienalidade positiva, com aumento de área em produção, ganho de produtividade e condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo.

Diante desse quadro, o Conselho Nacional do Café (CNC) reforça uma posição que sempre deixou muito clara ao longo dos anos: é fundamental ter extremo cuidado na abertura de novas áreas de cultivo. A expansão sem planejamento e sem um projeto vigoroso para o aumento do consumo pode provocar desequilíbrios na relação entre oferta e demanda, resultando em excesso de produção e, consequentemente, em preços aviltados, que penalizam diretamente o produtor.

O momento exige responsabilidade e ação organizada por parte de toda a cadeia produtiva. Os registros de queda nos preços do café observados ao longo de janeiro e no início de fevereiro já acendem um sinal de alerta para o risco de novas pressões negativas ao mercado. Ignorar esses indicativos pode comprometer a renda do cafeicultor e a sustentabilidade econômica da atividade no médio e longo prazo, reforçamos, assim, a necessidade urgente de um projeto para o aumento do consumo de café bem estruturado.

É justamente nesse contexto que se torna ainda mais relevante o papel do Funcafé. O fundo é uma ferramenta estratégica para garantir ao produtor acesso a recursos financeiros, permitindo que ele comercialize seu café nos melhores momentos de mercado — e não apenas para fazer caixa imediato em períodos de baixa. Utilizar corretamente esse instrumento é essencial para atravessar ciclos de maior oferta com equilíbrio e visão de futuro, assim como, sempre destacamos, a comercialização gradual para que o cafeicultor obtenha uma renda média que o remunere.

Neste momento, as cooperativas de crédito e de produção assumem um papel ainda mais estratégico para a cafeicultura brasileira. As cooperativas de crédito são fundamentais para garantir acesso dos produtores ao Funcafé, fortalecendo o planejamento financeiro no campo, como instituições que contribuem para a estabilidade da renda do cafeicultor e para uma relação mais equilibrada com o mercado.

Já as cooperativas de produção exercem um papel decisivo na organização da oferta, na agregação de valor e na comercialização mais eficiente do café. Por meio da união dos produtores, elas ampliam o poder de negociação, oferecem suporte técnico, insumos e equipamentos, promovem boas práticas de manejo e sustentabilidade e viabilizam o acesso a mercados mais exigentes. Em um cenário que exige planejamento e visão estratégica, o cooperativismo se consolida como um dos principais instrumentos para proteger o produtor, fortalecer a cadeia e garantir a perenidade da cafeicultura brasileira.

A cafeicultura nacional produz qualidade com comprometimento com o meio ambiente e o social, é forte, moderna e respeitada. Para que continue assim, é hora de planejar com cautela, agir de forma coletiva e manter o foco na sustentabilidade econômica da atividade. Produzir bem é fundamental, mas comercializar com estratégia é indispensável.

Por fim, o CNC seguirá atento, dialogando com o setor e defendendo políticas que assegurem previsibilidade, renda e estabilidade para os produtores de café do Brasil.

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação CNC
Alexandre Costa – alexandrecosta@cncafe.com.br / imprensa@cncafe.com.br
(61) 99999-1570