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CNC analisa perspectivas para a próxima safra na Sociedade Rural Brasileira

Presidente Silas Brasileiro defende cautela nas projeções de mercado e destaca a resiliência do setor produtivo brasileiro diante dos desafios climáticos.

O futuro da cafeicultura nacional foi o tema central do encontro realizado nesta terça-feira (23) pelo Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira. Especialistas de renome se reuniram para discutir os rumos da próxima safra, considerando as incertezas climáticas e as dinâmicas de oferta e demanda global.

A reunião contou com uma análise técnica abrangente. Albert Scalla, da StoneX, apresentou uma projeção de 75,3 milhões de sacas, alertando para a volatilidade causada pelo fenômeno El Niño e reforçando a expectativa de boas exportações brasileiras frente à escassez de café no mercado global.

Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, pontuou a complexidade do momento atual, sublinhando que os paradigmas do setor mudaram e que a análise baseada estritamente em experiências passadas já não é suficiente para prever o atual cenário.

O posicionamento do CNC: realismo e defesa do produtor

Em sua participação, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, trouxe uma visão ponderada sobre os números apresentados, divergindo das estimativas mais elevadas. “Precisamos analisar os dados com base histórica e realidade técnica. Acredito que a safra deve se estabilizar em torno de 70 milhões de sacas. Quando observamos o histórico recente, vemos que superar a marca dos 60 milhões de sacas ocorreu em apenas três oportunidades. É preciso cautela para não criar expectativas desencontradas”, ponderou.

Silas Brasileiro enfatizou que, embora o setor enfrente os desafios climáticos com a robustez de sempre — superando episódios severos de geadas e secas —, é fundamental garantir que o equilíbrio de mercado seja preservado. “Não estamos vivendo um cenário de sobra de café, mas também não estamos em um momento de desabastecimento. A nossa maior preocupação, enquanto liderança, é garantir que o preço final seja justo, protegendo a renda do produtor sem que isso represente um ônus injustificado para o consumidor lá na ponta, com a xícara na mão”, destacou o presidente.

A visão agronômica

Fechando o painel, o pesquisador da Fundação Procafé, José Braz Matiello, trouxe a perspectiva agronômica, detalhando como as condições das lavouras e as variações climáticas influenciam o potencial produtivo. Para Matiello, a ciência é a ferramenta essencial para que o produtor possa mitigar os riscos e maximizar a eficiência, independentemente das adversidades meteorológicas.

O encontro reafirmou a importância do diálogo entre especialistas, mercado e setor produtivo. “Eventos como este são fundamentais para que a cafeicultura brasileira continue mantendo sua liderança mundial com base em transparência, dados fundamentados e, acima de tudo, na defesa dos interesses de quem coloca a mão na terra”, disse Silas Brasileiro.


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