Por Silas Brasileiro
A cafeicultura brasileira alcançou um patamar de excelência reconhecido mundialmente. Somos líderes na produção, exportação e referência em sustentabilidade, tecnologia e qualidade. No entanto, todos os anos somos chamados a reforçar orientações simples, mas decisivas, para que o esforço realizado ao longo de toda a safra seja plenamente recompensado no momento da comercialização.
A colheita é a etapa que consolida meses de trabalho, investimentos e dedicação. É nela que o produtor tem a oportunidade de transformar o potencial da lavoura em qualidade efetiva do café. Por isso, algumas práticas merecem atenção especial.
A primeira delas é o controle da broca-do-café. Trata-se de uma questão que, diante dos recursos tecnológicos atualmente disponíveis, não deveria mais representar um problema significativo em nossas propriedades. Entretanto, ainda observamos situações em que frutos permanecem no chão ou nas plantas após a colheita. Esses frutos tornam-se fonte de infestação para as safras futuras, comprometendo a produtividade e a qualidade do café.
O prejuízo é duplo. Perde-se, inicialmente, um produto que poderia ser aproveitado e incorporado à produção. Posteriormente, perde-se valor de mercado em razão da incidência da broca nos lotes comercializados. Hoje, com a disponibilidade de equipamentos para recolhimento dos frutos remanescentes, não há justificativa para que cafés de uma safra sejam deixados para a outra nas lavouras.
Outro ponto fundamental diz respeito à separação dos frutos maduros e verdes antes da secagem. A uniformidade da matéria-prima é um dos fatores determinantes para a obtenção de cafés de melhor qualidade. Equipamentos de custo acessível permitem essa separação de forma eficiente. Mesmo nas propriedades que ainda não dispõem desses recursos, é possível realizar esse manejo durante o processo de secagem, minimizando os impactos negativos sobre a qualidade final do produto.
São práticas simples, conhecidas e amplamente difundidas pelas cooperativas, associações e entidades representativas do setor. Contudo, sua importância é tão grande que merecem ser reiteradas todos os anos. Afinal, não podemos permitir que pequenos descuidos na fase final da produção comprometam o resultado de todo um ciclo de trabalho.
O mercado está cada vez mais atento à qualidade. Consumidores e compradores valorizam atributos que começam a ser construídos ainda na lavoura e se consolidam durante a colheita e o pós-colheita. Produzir com qualidade não é apenas uma exigência comercial; é uma estratégia para agregar valor, fortalecer a imagem do café brasileiro e garantir melhores oportunidades para nossos produtores.
Estamos em mais uma safra e, como sempre, diante da oportunidade de mostrar ao mundo a excelência da cafeicultura nacional. Que possamos aproveitar este momento para reafirmar nosso compromisso com as boas práticas, com a qualidade e com a valorização do café produzido por milhares de famílias brasileiras.
A qualidade do café não nasce por acaso. Ela é resultado de escolhas corretas, atenção aos detalhes e respeito ao trabalho realizado durante todo o ano.
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