Estudos apontam que o uso racional da água e a tecnologia no campo elevam o PIB regional e geram empregos de qualidade
A busca pela eficiência no campo e a resiliência diante dos desafios climáticos globais colocam a gestão dos recursos hídricos no centro das atenções do agronegócio brasileiro. Um levantamento recente inédito, conduzido pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) em parceria com o Grupo de Políticas Públicas da USP/ESALQ, revelou o impacto socioeconômico direto da agricultura irrigada e do planejamento estratégico no uso da água. Nos polos analisados, o PIB per capita chega a ser até 256% maior do que em regiões sem a tecnologia, registrando rendimentos consideravelmente superiores para o trabalhador rural e menor dependência de programas de transferência de renda.
Diante desse cenário onde a produtividade se alia à preservação, o Programa Café Produtor de Água, idealizado pelo Conselho Nacional do Café (CNC) e em execução em algumas cooperativas associadas, desponta como uma iniciativa indispensável para o futuro da atividade. Focado no uso racional da água, na conservação do solo e no Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), o programa demonstra na prática que a cafeicultura eficiente é uma das principais ferramentas para a segurança hídrica e conservação das bacias hidrográficas brasileiras.
As cooperativas de café, que hoje respondem por mais de 65% da produção nacional, desempenham papel fundamental como vetor dessas boas práticas. E esse arranjo coletivo, que oferece assistência técnica e fomenta a governança socioambiental, que o Café Produtor de Água ganha escala, conciliando a alta produtividade com a sustentabilidade e a geração de renda no campo.
O presidente do CNC, Silas Brasileiro, reforça que a sustentabilidade ambiental caminha de mãos dadas com o desenvolvimento socioeconômico e o respeito ao produtor. “Unir a eficiência produtiva, evidenciada por dados que mostram o crescimento econômico de regiões que gerenciam bem seus recursos hídricos, com a preservação ambiental é o grande diferencial do café brasileiro. O Café Produtor de Água não é apenas um projeto de conservação, é uma ferramenta de estabilidade, inteligência climática e geração de valor para as futuras gerações”, destaca Silas Brasileiro.
Ações Recentes
O alcance prático do programa foi evidenciado durante a 14ª Feira Agro Nater Coop, realizada em julho de 2026 nas cidades de Nova Venécia e Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. O evento reuniu dezenas de produtores em torno da palestra ministrada pelo consultor do CNC, Devanir Garcia dos Santos.

Na oportunidade, os cooperados puderam compreender como técnicas integradas, como a construção de bacias de contenção (barraginhas), a adequação de estradas rurais, o plantio de matas ciliares e o manejo de sistemas agroflorestais, atuam diretamente na recarga do lençol freático e na proteção de nascentes. Essa mudança de paradigma transforma as fazendas cafeeiras em agentes ativos da restauração ecológica regional, além de valorizar as propriedades rurais.

Sobre o Programa
O Programa Café Produtor de Água já está em execução no Sul de Minas (Cooxupé e Minasul / Sicoob Credivar), no Cerrado Mineiro (monteCCer), no Espírito Santo (OCB/ES, Cafesul, Cooabriel e NaterCoop – em parceria com o Programa Reflorestar do Governo Capixada) e, em breve estará na Mogiana Paulista (Cocapec).
Nasceu em 2021, tendo como idealizador o Conselho Nacional do Café junto às suas cooperativas associadas, contando com os seguintes parceiros: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as prefeituras municipais, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB – Sescoop), o Banco Sicoob, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG), além dos parceiros regionais onde o projeto está instalado.
Os objetivos são bem claros: cuidar do meio ambiente com a preservação das vegetações e matas ciliares, plantio de árvores e proteção dos mananciais, além de proporcionar a recuperação de estradas rurais, fundamental para escoamento da produção e melhoria da qualidade de vida da população rural. Como consequência, evitará o assoreamento de rios e lagos, promoverá proteção de nascentes, oferecerá a construção de bacias de contenção, evitando assim, erosões.
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