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Café do Brasil

Confira a história

Brasil: a nação do café

Historicamente, o café tem um importante papel para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil e da sociedade brasileira. Na atualidade, o país se destaca no cenário internacional quando o assunto é o café, figurando em primeiro lugar entre os países produtores e exportadores do grão, e em segundo entre os maiores consumidores da bebida.

Mas o caminho até a consolidação do país como grande produtor e exportador de café foi longo, com grandes conquistas dos cafeicultores, como o Funcafé, e também com graves contratempos, como a geada negra que mudaram até a geografia do café no Brasil. Para entender melhor a história do café no país, a reportagem especial destacará alguns dos principais fatos históricos, desde a chegada do grão às terras brasileiras.

A origem exata do café é incerta, no entanto, existe uma famosa história que parece explicar a descoberta do fruto. Segundo a Lenda de Kaldi, um pastor que vivia na Etiópia, por volta de 850 d.C., teria notado que suas cabras ficavam com mais energia depois de ingerirem um fruto avermelhado, que seria a cereja do café.

Apesar de não haver um consenso sobre a forma que o fruto foi descoberto, há registros históricos que comprovam que o cultivo do café teve início no país africano e que a exploração de diferentes formas de consumo remete a esta data.

No Brasil, as primeiras mudas chegaram em 1727, na cidade de Belém (PA), vindas da Guiana Francesa. À época, no entanto, as plantações não prosperaram em razão do clima da região. Foi no Sudeste do país que a produção de café começou a tomar grandes proporções, com o início do plantio no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Desde então, o café se transformou em um dos principais produtos de exportação, demonstrando sua importância socioeconômica para o país. Durante o Império, o café foi a base da economia, estando presente até na bandeira do Brasil Império.  

Nesse período, surgiu uma importante classe social na sociedade brasileira, que ficou conhecida como “barões do café”. Este era um título conferido pelo Imperador aos fazendeiros produtores de café, como forma de reconhecimento à importância do grão e de seus produtores para o país. Os barões pertenciam à elite do estado e se destacavam por suas grandes lavouras e pela forte defesa do propósito de expandir a produção e a exportação do produto.

Ao longo do século XIX, Rio de Janeiro e São Paulo se destacaram no cenário cafeeiro com os barões do café, em especial aqueles do Vale do Paraíba, região que ficava entre os dois estados.  A produção cafeeira nas cidades fluminense e paulista do vale chegaram a dominar em torno de 80% do mercado interno no contexto da produção nacional. Os bons resultados da região seguiram fortes até 1880. No entanto, a exploração predatória e descontrolada do terreno comprometeu a fertilidade e a produtividade dos solos da região.

A circunstância acabou gerando a expansão do café para outras localidades do país, com destaque ainda para o estado de São Paulo e Rio de Janeiro, mas também para Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Paraná, por exemplo. Mesmo com o fim das atividades do Vale do Paraíba, o Brasil se torna, em 1880, o maior produtor mundial de café. A importância da cafeicultura para a economia brasileira era tanta que, até 1930, o chamado ciclo do café esteve em vigência no país, período em que a produção cafeeira atingiu a posição de atividade econômica mais importante do país, o que o levou à condição de sua industrialização.

O ano de 1930 marca o fim do ciclo do café em razão da crise americana de 29. A quebra nos mercados acionários do mundo provocou uma forte queda nos preços internacionais das commodities, além de uma diminuição da renda e, consequentemente, do consumo de grande parte da população mundial, o que afetou diretamente a venda do café no mercado externo. Entre 1929 e 1930, a cotação da saca no mercado internacional chegou a cair quase 90%.

O governo federal entrou em ação para tentar conter a crise no setor cafeeiro comprando grande parte dos estoques dos produtores. Com o objetivo de reduzir a oferta e conter a queda dos preços internacionais, o presidente Getúlio Vargas determinou a queima dos estoques de milhares de sacas de café. A estimativa é de que mais de 70 milhões de sacas tenham sido queimadas ao longo dos meses no ano de 1931 e, segundo especialistas, estima-se que a quantidade de café incinerado poderia suprir o consumo mundial por três anos.

Outra grande tragédia para a cafeicultura brasileira aconteceu em 1975, quando a produção cafeeira no sul do país enfrentou a maior geada histórica, conhecida como: geada negra. A intempérie dizimou todas as plantações do Paraná e provocou o êxodo rural de quase 2,6 milhões de pessoas. Para muitos produtores que continuaram no estado, a única opção foi abandonar o café e buscar outras culturas. A geada negra foi tão forte que causou uma mudança geográfica da produção cafeeira no Brasil, com cafeicultores migrando para regiões mais quentes do país.

Até 1975, o Paraná era responsável por quase 50% de toda a produção nacional do grão, com uma área plantada de 1,8 milhões de hectares e uma média de 20 milhões de sacas colhidas. Após a madrugada do dia 18, data da fatídica geada, o estado perdeu o posto de maior produtor país. No ano seguinte não houve registro de exportação de nenhuma saca e a participação do Paraná na produção brasileira atingiu apenas a marca de 0,1%, com 3,8 mil sacas. Com a mudança na geografia do café no Brasil, estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia ganharam destaque na produção cafeeira.

É importante destacar também o Instituto Brasileiro do Café (IBC) como um símbolo de grande relevância para o café brasileiro. A autarquia, vinculada ao então Ministério da Indústria e Comércio, foi criada em 1952 para defender os interesses do setor. Entre as atribuições da entidade estavam a definição de políticas para a cafeicultura, a coordenação e o controle de estratégias para toda a cadeia produtiva e a promoção de estudos e pesquisas em prol da cultura.

O IBC foi extinto em 1990, medida que provocou um impacto negativo para os cafeicultores brasileiros, uma vez que a representação do setor pelo IBC era de grande relevância para os produtores. Com a necessidade de reorganizar uma representação, foi criado, em 1996, o Conselho Deliberativo de Política do Café (CDPC), vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e que, até hoje, atua intensamente em defesa dos cafeicultores.

A entidade é composta por sete representantes do setor público e sete da iniciativa privada, dentre às quais, o Conselho Nacional do Café (CNC). O CDPC é responsável por formular as políticas públicas para o setor no que diz respeito à pesquisa, produção, comercialização, exportação e marketing, propiciando suporte técnico e comercial ao desenvolvimento da cadeia agroindustrial do café no Brasil.

Outro importante marco para o café no Brasil foi a criação do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, o Funcafé, em 1986. O fundo, criado pelo Decreto-Lei n° 2.295/86, regulamentado pelo Decreto n° 94.874/87 e ratificado pela Lei n° 9.239/95, é essencial para toda a cadeia produtiva do café, inclusive para situações de calamidade, como as geadas. Inicialmente, os recursos eram captados por meio de uma cota confiscada dos produtores sobre as suas exportações de café, no entanto, em 2004, o Supremo Tribunal Federal (STF), julgou inconstitucional a cobrança desta contribuição. Desde então, o fundo se retroalimenta, com os recursos provenientes de aplicações em seus diversos programas aprovados pelo CDPC, sempre oferecendo as menores taxas do mercado financeiro.

O Funcafé concentra esforços do setor público e privado para garantir o desenvolvimento do setor através de financiamentos e incentivos à modernização da cafeicultura e à pesquisa cafeeira. Além disso, os recursos ainda podem ser destinados ao apoio à indústria e à exportação e para promoção do aumento de consumo e a conquista de mercados.

O montante financiado aos cafeicultores através do crédito rural também é importante para promover o ordenamento da oferta, financiando a estocagem para evitar que os cafeicultores e suas cooperativas tenham que vender café nos períodos em que os preços estão mais aviltados.

O café tem sido uma válvula propulsora da economia do Brasil. O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária da safra 2025, tem como projeção alcançar R$ 1,41 trilhão, um aumento de 11% em relação à safra de 2024 (R$ 1,27 trilhão).

Dentro dessa projeção, mais uma vez, o café se destaca como um dos principais produtos do setor agropecuário. Em 2025, com base nas projeções, a cafeicultura ultrapassou a avicultura, que em 2024 estava à frente com R$ 106,08 bilhões. Agora, o café ocupa a quinta colocação no ranking geral, alcançando R$ 116,42 bilhões, o que representa 8,24% do VBP total do país, um crescimento de 46,1% em relação ao ano anterior. De 2019 a 2025, o aumento do café no VBP foi de impressionantes 271%.

Os estados líderes na produção de café em divisas são Minas Gerais, com R$ 58,72 bilhões, seguido pelo Espírito Santo, com R$ 30,01 bilhões. Bahia (R$ 9,41 bilhões) e São Paulo (R$ 9,41 bilhões) praticamente empatam na terceira posição, enquanto Rondônia se consolida como o quinto maior produtor nacional, com R$ 5,17 bilhões.

Arábica e conilon

O café arábica tem projeção de crescimento de 41,3%, atingindo R$ 81,51 bilhões, enquanto o café robusta (conilon) deve registrar um aumento ainda mais expressivo de 58,8%, totalizando R$ 34,91 bilhões. Esse desempenho reforça a posição do café como um dos produtos agrícolas de maior valor agregado no Brasil.

Importância econômica e social do café

O Brasil mantém sua posição como o maior produtor e exportador de café do mundo, com 16 estados produtores e um total de 330 mil cafeicultores, dos quais 254 mil são pequenos produtores. A cadeia produtiva do café gera aproximadamente 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos, abrangendo desde a produção nas lavouras até a industrialização e exportação do produto. Além de seu impacto econômico, a cafeicultura desempenha um papel fundamental no desenvolvimento regional, promovendo inclusão social, geração de renda e fortalecimento dos pequenos e médios produtores. Onde a cafeicultura está instalada, o índice de desenvolvimento humano (IDH) é patentemente maior.

O café brasileiro se destaca no mercado internacional pela sua qualidade e sustentabilidade. O país tem investido em certificações e práticas agrícolas sustentáveis para atender às exigências dos principais mercados consumidores, como União Europeia e Estados Unidos. Programas de rastreabilidade, adoção de boas práticas agrícolas e investimentos em pesquisa e inovação garantem a competitividade do café brasileiro no cenário global.

Sustentabilidade

Antes de comentar sobre outro fator, jamais poderemos deixar de destacar o social, pois o Brasil é único país que tem uma legislação trabalhista, em proteção ao trabalhador e trabalhadora.

Outro fator essencial para o setor é o avanço da economia verde, com a adoção de práticas sustentáveis, como sistemas agroflorestais, cultivo regenerativo, redução da pegada de carbono e a rastreabilidade. A demanda por cafés certificados, diferenciados e rastreáveis tem impulsionado o valor agregado do produto, beneficiando diretamente os produtores e fortalecendo a imagem do Brasil como líder global no setor cafeeiro.

O crescimento expressivo do VBP do café é reflexo do trabalho árduo dos produtores, cooperativas e entidades do setor, que têm elevado o profissionalismo da cafeicultura. Além disso, o Funcafé tem sido um pilar fundamental no financiamento da produção, garantindo segurança e previsibilidade para os cafeicultores. O Brasil segue como referência mundial no setor, e esse resultado demonstra a força e a relevância do nosso café para a economia e para o desenvolvimento sustentável do país.

O café é assim: muito mais que uma bebida. Ele carrega história e une pessoas, sendo a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água. O Brasil pode e deve se orgulhar de ser conhecido como a Nação do Café!