No Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, CNC destaca a contribuição das cooperativas para o financiamento da produção, o desenvolvimento regional e a sustentabilidade da cadeia produtiva do café
O cooperativismo de crédito desempenha um papel estratégico no desenvolvimento do agronegócio brasileiro, aproximando os serviços financeiros dos produtores rurais, ampliando as oportunidades de financiamento e contribuindo para a geração de renda e o fortalecimento das economias locais. Na cafeicultura, essa atuação tem relevância ainda maior, diante das necessidades de custeio, comercialização, investimento e recuperação das lavouras que caracterizam a atividade.
Celebrado nesta quinta-feira, 15 de outubro, o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito é uma oportunidade para reconhecer a contribuição desse sistema para o desenvolvimento econômico e social do Brasil e, especialmente, para a competitividade da produção cafeeira nacional.
De acordo com o Banco Central do Brasil, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo encerrou 2025 com 21,2 milhões de cooperados e ativos totais superiores a R$ 1 trilhão, estando presente em 59% dos municípios brasileiros. Os números demonstram a dimensão alcançada pelo segmento e sua capacidade de levar serviços financeiros a diferentes regiões do País, inclusive localidades nas quais o acesso ao crédito é determinante para a continuidade das atividades produtivas.
Crédito cooperativo e desenvolvimento da cafeicultura
Na cadeia produtiva do café, as cooperativas de crédito exercem uma função que vai além da oferta de recursos financeiros. Sua proximidade com os produtores e o conhecimento das realidades regionais contribuem para conectar as necessidades de financiamento às diferentes etapas da atividade cafeeira, desde o custeio da lavoura até a comercialização da produção, passando por investimentos em infraestrutura e modernização.
Na safra 2025/2026, o Sicoob destinou R$ 8,3 bilhões em crédito ao setor cafeeiro, contemplando produtores rurais e cooperativas. Deste montante, por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), as liberações foram de R$ 1,5 bilhão, conforme informações da instituição.
Os resultados evidenciam a importância do cooperativismo de crédito para o financiamento de uma atividade que possui ciclos produtivos próprios e demanda planejamento financeiro, especialmente diante das oscilações de preços, dos riscos climáticos e dos custos de produção.
A atuação também se destaca no Espírito Santo, um dos principais estados produtores de café do País. Ao final da safra 2025/2026, o Sicoob ES informou ter liberado R$ 485,9 milhões em recursos do Funcafé, mantendo a liderança estadual pelo 14º ano consecutivo. No mesmo período, a instituição registrou R$ 4,49 bilhões em crédito rural, distribuídos em 16.220 operações. Segundo os dados divulgados, aproximadamente um terço dos recursos de crédito rural foi destinado à cafeicultura.
O desempenho demonstra a relevância das cooperativas de crédito nas regiões produtoras e sua contribuição para o acesso ao financiamento, sobretudo entre os cafeicultores que dependem de recursos para conduzir suas lavouras e organizar a comercialização da safra.
Funcafé: instrumento estratégico para a cadeia cafeeira
Nesse contexto, o Funcafé ocupa posição central na política de financiamento da cafeicultura brasileira. O fundo oferece recursos destinados a diferentes necessidades da cadeia produtiva, incluindo custeio, comercialização, aquisição de café, capital de giro para indústrias e cooperativas de produção e recuperação de cafezais danificados.
Para a safra 2026/2027, o orçamento aprovado do Funcafé foi de R$ 7,37 bilhões, distribuídos entre essas cinco linhas de financiamento. A estrutura permite atender demandas distintas da atividade cafeeira, contribuindo para a organização do mercado e para a sustentação financeira de produtores e demais agentes da cadeia.
A participação das cooperativas de crédito na operacionalização desses recursos é particularmente importante pela capilaridade de suas redes e pela relação direta com os produtores. Entretanto, a efetividade dessa política depende também da disponibilidade de recursos, das condições de contratação, da agilidade na liberação e da adequação do financiamento às necessidades de cada segmento.
Por essa razão, o fortalecimento do Funcafé e o aprimoramento dos mecanismos de crédito rural permanecem entre os temas relevantes para a representação institucional da cafeicultura.
Sistema OCB e a agenda de fortalecimento do crédito rural
O Conselho Nacional do Café (CNC) como braço operacional do Sistema OCB tem atuado na defesa de condições que favoreçam o financiamento da produção agropecuária e ampliem a capacidade de investimento das cooperativas e dos produtores rurais. Além disso, a atuação dos membros da iniciativa privada (ABIC, ABICS, Cecafé, CNA e CNC) dentro Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) fortalece a interlocução entre o sistema cooperativista de crédito e o governo federal.
A OCB também trabalha como elo fundamental dessa engrenagem. A entidade apresentou, como de costume, ao Ministério da Agricultura e Pecuária propostas para o Plano Safra 2025/2026, elaboradas em conjunto com as Organizações Estaduais e cooperativas dos ramos Agropecuário e Crédito. Entre as prioridades estavam a ampliação dos limites de contratação por tomador, o aumento dos recursos disponíveis, a manutenção da estrutura do crédito rural e a redução das taxas de juros.
Já em abril de 2026, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, e a presidente executiva, Tania Zanella, apresentaram ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, as prioridades do cooperativismo para o Plano Safra 2026/2027. A agenda incluiu a ampliação dos recursos para o crédito rural, o fortalecimento de instrumentos de mitigação de riscos, como o seguro rural, o acesso das cooperativas agropecuárias ao Pronaf e ao Pronamp e o incentivo à armazenagem, à agroindustrialização e a iniciativas sustentáveis.
As propostas refletem desafios que também alcançam a cafeicultura. A disponibilidade de financiamento em condições compatíveis com a realidade dos produtores é fundamental para viabilizar investimentos, melhorar a produtividade, incorporar tecnologia e ampliar a capacidade de enfrentar adversidades climáticas e de mercado.
O cooperativismo de crédito, nesse cenário, integra uma estrutura mais ampla de apoio ao desenvolvimento rural, articulando a oferta de serviços financeiros às demandas de produtores, cooperativas e comunidades.
Uma parceria estratégica para o futuro do café brasileiro
Para o Conselho Nacional do Café, o fortalecimento do crédito rural e dos instrumentos de financiamento da cafeicultura é fundamental para a sustentabilidade econômica da atividade e para a manutenção da competitividade brasileira no mercado internacional.
A relevância do cooperativismo de crédito está tanto no volume de recursos mobilizados quanto na sua presença junto às comunidades produtoras. Ao facilitar o acesso a serviços financeiros e participar da operacionalização de linhas como as do Funcafé, essas instituições contribuem para que os recursos cheguem aos diferentes elos da cadeia, respeitadas as condições e os critérios de cada modalidade de financiamento.
Essa atuação ganha importância diante do perfil da cafeicultura brasileira, marcada pela participação expressiva de pequenos produtores e pela diversidade de sistemas produtivos, regiões e realidades socioeconômicas. Para esses cafeicultores, o acesso ao crédito pode representar a diferença entre adiar um investimento e modernizar a propriedade, enfrentar uma dificuldade financeira e preservar a atividade ou ampliar a produção com melhores condições de planejamento.
Neste Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito, o CNC reconhece a contribuição das cooperativas de crédito e da OCB (liderada por Márcio Lopes e Tânia Zanela), para o desenvolvimento da cafeicultura e ressalta a importância da continuidade do diálogo entre o setor produtivo, as instituições financeiras cooperativas e o poder público.
O fortalecimento dessa parceria, associado a políticas de crédito rural consistentes, recursos adequados e condições de financiamento compatíveis com as necessidades do campo, é parte do caminho para uma cafeicultura cada vez mais produtiva, resiliente e sustentável, capaz de gerar renda, oportunidades e desenvolvimento para milhares de famílias brasileiras.
Fontes de referência da publicação
- Banco Central do Brasil — Sistema Nacional de Crédito Cooperativo.
- Sistema OCB — Propostas para o Plano Safra 2025/2026.
- Sistema OCB — Agenda do cooperativismo para o Plano Safra 2026/2027.
- Sicoob — Crédito destinado ao setor cafeeiro.
- Sicoob ES — Resultados do Funcafé e do crédito rural na safra 2025/2026.
- Ministério da Agricultura e Pecuária — Contrato nº 118/2025, agente financeiro do Funcafé.
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